Há quem só esteja bem na solidão...
Seres perdidos dos mundos... fazendo parte de onde não pertencem.
Lutam dia após dia por isso mesmo!
Seres perdidos que lutam por estar sozinhos,
(mesmo que no seu inconsciente)
Mas que têm de sair desse mundo
Por um bem Maior...
Tarefa dura...Esforço Hercúleo...
Forças...Forças sugadas...
Mas mantém-se de pé!
Prontos para mais uma investida, atrás de outra e de outra...
Até ao fim.
Hoje Sou Mulher Esqueleto, trago a Vida pela Morte....
Encontrar a beleza da Morte exige Coragem,
Mas ela está lá, mais forte do que nunca!
Ao encontrá-La, encontrei um jardim...
O meu mundo invadido, queimado e escarnecido
Tornou-se numa bela Floresta bébé!
Dela brotam pequenas árvores, flores, ervas
De cura, de força... Como crescem!
Lá o tempo corre rápido...
Não posso deixar-me dormir e perdê-lo...
Vou vivê-lo...Estou Acordada...
E no espelho, a Mulher Esqueleto se transformou...
Em certo tempo perdido na história, numa floresta quase quase mágica, vivia uma feiticeira já velhinha. Passava os seus dias a fiar a lã do destino, a mexer o caldeirão da vida, a cuidar das ervas dos Deuses, nos seus afazeres repletos de conhecimentos que morreriam com ela pois não tinha descendentes.
Esta anciã solitária vivia atormentada com o passar dos dias e com a sua caminhada lenta para a morte, sem deixar a alguém tudo o que aprendeu da sua mãe, da sua avó e, acima de tudo, da vida.
Deixar todo aquele conhecimento ser queimado com ela, desaparecido nos dias do tempo... Que desperdício!
Seria uma lei do destino que ela propria fiara?
Seria uma prova a superar?
Nunca quis casar, nem ter filhos. Não confiava em ninguém. Embora as 240 estaçoes que tinha pesassem, preferia continuar isolada na sua cabana, perdida no meio daquela floresta quase mágica.
Num final de tarde, Fern afastou-se um pouco mais que o normal da sua rota de ervas e foi até à margem do rio para encontrar algumas ervas que só cresciam ali.
Quando se aproximou do rio começou a sentir um cheiro muito estranho no ar: fumo?
- Será que a floresta está a arder? - pensou ela.
Nesta altura do ano eram muito comuns os incêncios na floresta devido ao calor intenso que Litha trazia, juntamente com o descuido daqueles que por ali ousavam instalar-se. Tentou seguir o rasto do fumo e a certa altura, já o fumo era intenso, como novoeiro cerrado, ouviu gritos e ... um choro de criança? Seria?
Largou as suas ervas, correu na tentativa de ajudar alguém que estaria em apuros. À medida que adentrava naquela estufa fumarenta , o calor era cada vez mais intenso, mas ela corria incansável até chegar a uma clareira com uma casinha de madeira. Estava já em chamas altas, que alastravam num fogo destruidor pela floresta fora. De dentro da casa ouvia os gritos, o choro da criança, vidro a partir-se devido ao calor do incêndio incontido!
Desesperada, sem saber como ajudar, dirige-se à entrada da casa que cuspia labaredas e entra coberta pela sua capa, tentando proteger-se daquele fogo sedento.
A casa estava a ser completamente consumida pelas chamas, tentou subir as escadas para chegar à origem dos gritos e do choro, mas não conseguia!
Disse em gritos para se fazer ouvir:
- Está aqui ajuda! Estou aqui para tentar ajudá-los! Mas não consigo subir!
A resposta não tardou:
-Salve a nossa bébé, por favor!
Era uma familia que ali vivia com uma pequena criança de apenas 4 estações!
Naquele momento uma parte do primeiro andar da casa desaba, e com ela as escadas, já em chamas. Numa pequena ilha, ainda de pé encontravam-se os pais e a criança em pânico e logo abaixo Fern, sem conseguir subir, sem saber o que fazer.
A mãe apenas conseguia dizer:
-Salve a nossa filha, por favor, salve-a.
Sem conseguirem pensar muito bem, os pais da criança, tiram as roupas do seu próprio corpo e ataram-nas todas numa corda para a descer até Fern. Conseguiram e Fern saiu de imediato para que a criança respirasse e não morresse devido ao fumo que inalava. Mas prometeu aos pais:
- Eu vou procurar ajuda!
O pai diz:
-Cuide da nossa menina, isso é o que mais importa agora!
Ao sair coberta pela sua capa e a proteger a criança, a casa desaba consumida pelas chamas intensas que lavraram centímetro por centrímeto da sua área e com ela os pais daquela menina, entregue aos seus braços, a chorar como se percebesse que tinha acabado de perder aqueles que a trouxeram ao mundo.
Fern chorava, assustada, sem saber o que fazer. Apertou a criança contra o peito e disse:
- Estás a salvo, eu vou cuidar de ti, shhh!
Na roupa da menina, havia um alfinete que dizia: Indrin.
Era o nome da menina. Com a casa desfeita à sua frente, a floresta a ser consumida pelas chamas Fern começa a embalar a criança com a canção de embalar dos anjos:
"Dorme, dorme anjinho do céu
Dorme hoje que amanhã outro amanhacer se ergue
Sonha lindo anjo, sonha alto
Voa como um pássaro..."
(continua...)

Senhora do Fogo
Deusa dos caminhos
Profetisa...
Portas contigo a luz
Aos caminhos mais profundos e negros
E lá acendes o mais esplendoroso fogo!
Senhora com a força da Serpente
Senhora que desperta Kundalini
Criadora
Nutridora!
No teu ventre levas o futuro
Na mão levas o fogo...
Que Cria e destroi.
Em tua cruz
Cruzas, encruzas e descruzas os caminhos.
Teus cabelos são labaredas
Que encantam os perdidos
E iluminam os desencontrados.
Aconchega-me com o calor do teu Fogo
Mantém-me viva com a força da Criação!
Mantém meus olhos alerta
Meus braços quentes para nutrir quem precisa.
Cobre-me com teu manto de transformação
Senhora da Vida
Senhora da Luz..
Fogo que se mantém aceso em mim!
Pelos pequenos e grandes gestos
Por me fazeres ver quando os meus olhos não se querem abrir
Por me mostrares que devemos aproveitar o que temos
Pelo mais terno sorriso ao mais sincero abraço
Pelo sol que trazes nos dias mais cinzentos
Por tudo....
Tanto que já sofrestes, tanto que padeceste até encontrares o Caminho
Quando o encontraste, mais sofrimento tiveste de enfrentar
Ainda assim continuaste...
Passaste por tantas provas, ainda assim o caminho nunca terminou...
Naquele pequeno pedaço que percorreste até ao céu
Apenas recolheste instrumentos, aprendizagens
Para prosseguires esse caminho quando voltaste.
O teu Amor te levou alto
Te levou ao teu interior
Te levou à tua força
Te levou onde te esforçaste para chegar!
Sobe Sobe Senhora da Montanha
Sobe com teu Amor
Não há dor que te pare
E quando tiveres de parar
Recolhe-te em ti mesma
Renasce e volta, traz aquilo que precisas para continuar!
Ouçam o crepitar a surgir da vossa pele...
A toda a velocidade dá vida,
Dá luz, dá calor.
Sem tempo nem espaço concretos
Ele anima!
Controla esse Fogo que te anima
Não deixes que a água da emoção o apague
Tempera-o com o vento
Perfuma-o com a terra!
Pelo fogo agora escreve
As respostas que surgem
Do mais obscuro recanto,
Enfrenta os medos
Queima-os com as achas da vontade!
Escreve com o fogo a cada dia e liberta-te!
Oh Fogo da Transformação
Que fazes cair as Torres mais firmes
E fazes renascer das cinzas
A Morte mais sofrida!
Oh Fogo, alento dos deuses
Dá-nos força de espírito
Para destruir o supérfluo
E animar a insaciável fome de evolução.
Living between worlds
One seems too real to be a dream
The other one is like a dream, but these feelings are so real.
Am I a world's traveler?
Can we drop this life one day
Leaving to another way
With another body
Not in a enchanted world, just a magic and happy world?
Anywhere,
Where time stoped!
I think I found this world yet,
But I don't want to left there just half of me.
Utopia, dream...
Maybe...
I'm tired, I don't want to fight anymore
I drop here my guns
Come with me to this timeless and spaceless world
A magic place where we've met before,
Can you remeber?
We don't run away
We'll just leave our bodys, punished by suffering
We'll free our souls from the chains of this cruel reality.
Sweet Freedom,
Dawn of a new day
Two Souls halfway
to Neverland.
Parei, pensei, senti saudades...
Saudades do quê?
De uma parte de mim que parece ter sido posta de lado para me colar à terra como uma lapa se cola a uma rocha!
Senti falta de acender uma vela...
Sem qualquer motivo, só porque me sinto bem com uma vela acesa no meu quarto, sempre fui assim.
Porque a sua luz me faz sentir em casa, me faz sentir aconchegada. Perco-me nos meus sonhos ao ver a dança da sua chama!
Senti falta de perfumar o quarto com incenso...
Jasmim, o meu preferido!
Ver o rodopiar do seu fumo, sentir o seu aroma e viajar para o meu mundo, lá longe...
Senti falta do meu chá, que me acompanha antes de dormir...
Limão e gengibre com mel.
Como um doce abraço, que aquece e embala.
Sonho bebê-lo no alpendre da minha casa de madeira, num final de tarde...
O perfume das flores e dar ervas do meu jardim.
Como me posso esquecer destas pequenas coisas que me definem e me completam?
Pequenas coisas que me fazem sentir viva, sentir quem sou!
Não precisamos de grandes coisas e grandes objectos para nos afirmarmos no mundo, se tivermos momentos que nos afirmam e relembram quem somos, de onde viemos e nos ajudam a perceber para onde queremos ir!



Quando somos crianças criamos herois, expectativas que o tempo e a dureza do mundo se encarregam de destruir... a pureza e ingenuidade de uma criança são brutalmente desfeitas em pedacinhos...quando adultos vemos essas mesmas "fantasias" serem restituidas, ou parecerem querer ser reconstruidas, hesitamos, mas com a sede de voltar a sonhar como uma criança, aceitamos cada uma delas e até mais...
Quão duro é voltar de novo à realidade brutal do mundo...
Quão duro é recebermos um pontapé e sermos obrigados a pensar: Cresce!
Mas porque temos de crescer pela dor?
Como conseguimos crescer para além daquilo que nos parecer ser possivel?
Se consigo? Talvez...mas com que forças?
Hoje quero dançar ao Universo
Agradecer as suas dádivas e as suas provas.
A todas elas devo a vida
A todas devo quem sou
E o que ainda poderei vir a ser.
Agradeço à Grande Mãe
Como pequena filha que sou
Cada dia e cada noite
Cada nuvem e cada estrela.
Pelo Amor Universal.
Agradeço também ao Grande Pai
Pois sem equilíbrio nada somos.
Agradeço a ele a vontade e a firmeza
As provas, as vitórias e derrotas.
Só por hoje
Não me preocupo
Não critico
...
Só por hoje...
Por cada dia
respiro e vivo
Mais um dia!
E hoje, como em cada dia
Dou um passo na minha missão
Para com o mundo e comigo mesma.
E amanhã
Será um dia
Como outros
Para crescer.
Mãe-Negra
Prelúdio
Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela ...
Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.
Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro ...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada ...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar? ...
Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar? ...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar? ...
Mãe-Negra não sabe nada ...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra! ...
Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar ...
Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar! ...
Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.
É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada.
(Alda Lara, 1951)






