Lua do Silêncio

Ou lua vazia, ou lua negra. É a lua de todas as possibilidades, de todos os inícios e de todos os fins.


No meu Silêncio espero por ti
Sonho e danço para ti
Sem saberes...
Terei eu capacidade de abarcar tanto?
Será assim tanto?
Que medo...
Que medo de sonhar depois da queda
Que medo de pedir depois de perder.

Mas eu quero
Quero tanto que o meu peito explode
Neste lamento
Liberto o meu véu e voo ao som das notas
O corpo flui e envolve-se numa cadência de querer
De correr para ti
Mas quando os meus olhos se abrem...
Afinal fugi.

Mas a aventura não pode acabar aqui
Pois ainda não desisti...


Fern segurava aquela pequena criatura com todas as suas forças e pensava:

Tão curto é já o meu destino e tão curta a tua existência... que poderei ser eu para ti pequena Indrin, agora que estás sozinha no mundo?

Depois de salvar a pequena menina procurou quem reconhecesse aquela família, isolada no meio da floresta, que deixou ao mundo aquele pequeno ser indefeso, uma pequena fada perdida no fogo.

Nada! Nem uma alma perdida sabia as suas origens.

Para trás ficava a tragédia daquela casa queimada, vidas perdidas...

Na sua sossegada vivência já se acostumava aos sorrisos cristalinos de Indrin, à sua presença pura que gritava silenciosamente pelo seu afecto.

Indrin era uma menina de olhos de mel e cabelo de fogo, doce e curiosa. Ficava horas embebida nos afazeres de Fern. Sentada no seu banco de tronco de carvalho observava cada movimento da anciã com devoção.

O tempo foi passando naquela cabana perdida no meio daquela floresta quase mágica...

Horas, dias, semanas, lua após lua, estação após estação o coração de Fern sossegava, não estava só no mundo, assim como Indrin contava com protecção maternal da velha feiticeira.

Sabia que o fio da sua vida não era longo o suficiente para a acompanhar. O seu cabelo negro, há muito se tinha tornado num manto branco, como neve, as suas forças não respondiam como antes, mas algo a mantinha viva: Indrin. 

Os seus dias eram passados a reconhecer, colher, secar e usar ervas; acender o fogo sagrado de Brigid; cozinhar; fiar, tecer e costurar; aprender o céu, os seus Astros, as conjunções, o que cada uma significava, as suas conjunturas e que feitiços poderiam ser feitos quando...

Indrin ouvia-a falar atentamente como se absorvesse toda aquela sabedoria. Porém, tinha apenas 20 estações. Como podia uma criança tão pequena aprender tudo aquilo, não era possível, mas o tempo a prática e a repetição iriam ajudá-la, dizia Fern para si mesma.


Certa noite, perdida no tempo, como todas as outras noites, no meia daquela Floresta Quase Mágica, Indrin acordou com um riso. Era um riso agudo e não parecia ser da séria e composta Fern. Quem seria? De onde viria? Qual a razão daquele riso?


O riso parou por uns momentos, fechou os olhos e o riso voltou, desta vez mais perto...


Quando abriu os olhos viu uma luz a flutuar ao pé de si, era dali que provinha aquele riso. Não sentia medo, na sua mente ainda sonolenta só conseguia pensar: Porque se ri? Parece que lhe contaram uma piada!


A resposta foi inesperada, mas imediata, uma voz aguda, distante, mas situada bem à frente do seu pequeno nariz:


- Mexes as orelhas quando dormes, como as fadas!


Humm?


O que tinha acabado de ouvir, pensava Fern...uma voz quase sumida no ar a escarnecer das suas pequeninas orelhas pontiagudas, sem qualquer pintinha de vergonha! Malvada!


-Quem és tu? Ou devo dizer o que és tu? E porque me vens incomodar as orelhas enquanto repouso os meus olhos, sem te apresentares sequer?


-Calma muy nobre princesa Indrin, não quero ofendê-la! Sou a Boon, a fada dos sonhos. Ias ter um pesadelo e por isso vim acordar-te para dares um passeio comigo. Queres vir?


-Eu não sou princesa, para começar esta conversa imaginária dos meus sonhos. Se ia ter um pesadelo devias deixar-me tê-lo e não vou a lado nenhum com uma luz pirilampo de se ri das minhas orelhas enquanto durmo! - responde Indrin


-Já estou a ver que mais uma vez me tocou uma refilona! Devem pensar que eu tenho a paciência dos entes para vos aturar... Se não quiseres vir não vens...eu vou andando sozinha.


E Boon, lá foi flutuando em direcção à janela. Indrin, muito indignada pergunta:


-E como sabes tu o meu nome?


Boon presunçosamente responde:


-As fadas sabem tudo.


-E Boon Sabe-Tudo, diz-me onde me queres levar? - questiona Indrin.


-Quando lá chegares vês - responde Boon.


Indrin intrigada e curiosa com as palavras daquele ser mágico que a impelia a segui-la deu por si a sair da cama e a caminha na sua direcção, até que lhe pergunta:


- Como vou eu sair, não consigo saltar a janela!


Com uma risada, só sua, Boon responde-lhe:


-Como sabes se não arriscaste?


E ao olhar para os seus próprios pés descobertos, Indrin percebeu que estes não tocavam o solo... Estava a voar, tal como Boon. Num impulso aquela luzinha brilhante janela fora, Floresta dentro rumo à aventura...

Amigos, no natural silêncio das palavras trago-vos uma história na qual não há vilões, vítimas ou heróis.
É a história de uma Alma que entre várias mortes e renascimentos foi apaixonadamente conduzida para um abismo igual ao de outras vidas.



Numa época situada algures na Idade Média, ela apaixonou-se por um Cavaleiro. Ela era uma das damas da Senhora daquelas terras.

Rebelde e altruísta, vivia no Castelo junto ao mar e passava imenso tempo a aguardar que o seu Amante voltasse para ficar nos seus braços. Era feliz...

Certo dia o Cavaleiro convida-a para a sua Torre, para que possam construir uma vida sem aquele sentimento doloroso de saudade. Apaixonadamente, mas de certo modo receosa a Dama aceitou o convite.

Foi recebida de braços abertos pelo Cavaleiro, na sua humilde Torre, porém de coração fechado. A Alma daquela Dama fechou-se ao Mundo, tentando dar tudo de si mesma àquele que amava, àquele a quem se confiara. No fundo, ela sabia que era muito mais do que apenas aquilo, mas nada mais interessava... Porém o coração daquele Cavaleiro já se havia fechado para ela e ela sabia-o... Ele proferia palavras que a magoavam e ela ouvia, sofrendo em Silêncio.

Ela sabia a razão pela qual tudo estava a acontecer, mas não podia acreditar que aquele a quem confiara o seu destino, aquele em quem confiava há anos ... Não, não podia ser...

Mas assim foi... Ela não era uma Dama em apuros, não era alguém a precisar de ser salva do Abismo... Um Cavaleiro precisa de se sentir útil para a sua Amada, precisa de se sentir suficientemente grande e suficientemente forte para ela e ela tem de ser suficientemente pequenina e indefesa para poder ser salva.

Mas ele apenas via o exterior e aquela mulher era demasiado grande, demasiado independente, demasiado ela, talvez...

Não foi difícil de se apaixonar por alguém que pudesse salvar, deixando aquela Alma entregue a um novo Abismo e quiçá novas Auroras...em novas vidas.


Em novas vidas, sim,  porque aquela não foi muito além. Depois de tentar refazer a sua vida junto da sua antiga Senhora, não suportou a Dor e deu-lhe um final no Abismo do Inferno.


Esta história repete-se na evolução desta Alma, até reencontrar a outra que a lançou ao Abismo, num novo tempo, numa nova vida... mas sempre a mesma história... Mudando apenas o final, esperamos nós.

Que esta Alma continue na sua Aurora, na sua Doce Aurora, após ter sido lançada ao Abismo.

Como vos disse Amigos, nesta história, como em todas, não há vítimas, nem vilões.

A dor, o desespero, a mágoa é que dão essa perspectiva.

Não é apenas uma questão de intenção. Não somos ninguém para julgar, somos demasiado pequenos para tarefa tão grande, por isso erramos tanto.


 [...]You live the Dawn of fate

You're invited to the fight

[...]

Can we save ourselves this time,sweet dawn.

Ouvia histórias de que travaria batalhas
Que seria a Guerreira
Mas ninguém a preparou para a tortura
De viver daquela maneira!
Provação atrás de provação
E um longo caminho a percorrer
Sem destino, nem alcance
Sempre com força de viver.
Havia força e esperança
Naquela Humanidade
Mas o que não esperava
Era a traição e a vaidade.

Viveu e cresceu com sonhos e ilusões
Cedo despertou
Caiu e se ergueu tantas vezes
Mas força não quebrou.

Uma magia a envolvia
A impunha a seguir e crescer
Mesmo sem saber o que viria
Algo a queria Ver.

E assim seguiu
Rumo a destino incerto
Apenas com a força interior
E a magia do Ser por perto...


Aceitar
Aceitar não é fácil...
Aceitar revira as nossas perspectivas
Torna-nos mais justos, connosco e com o mundo.

Aceitar não é vergar
Não é rebaixar.

Aceitar a dor, como processo de cura,
É o início de um longo caminho.

Aceitar o que nos é imposto
Contra a nossa vontade e o nosso coração
É revoltante
É uma dor incompreensível ao julgamento
E por isso, não deve ser julgado
Mas compreendido.

Aceitar é perceber
Que o que nos causa dor
Só o faz porque um dia houve um sentimento.
Enquanto dói o sentimento perdura.

Quando falamos de Amor,
Temos de aceitá-lo, compreendê-lo,
Para o poder transformar lentamente.
Uma metamorfose de cicatrizes mínimas,
Uma ferida cuidada com minúcia
Até que a pele fique novamente sã.

E neste processo seguimos em frente
Fazemos o nosso luto
As nossas exigências
Definimos as nossas perpectivas
Definimo-nos como um novo EU
Sem sombras
E cada vez com menos dor,
Menos mágoa,
Menos revolta.

O caminho da aceitação
É cheio de altos e baixos
Mas a persistência
Espírito Firme
Mente desperta
São os bastões fortes
Para nos mantermos de pé
e nos levantarmos das quedas.

OM SRI KALIKAYA NAMAH

Imagem: Untold Story by Josephine Wall

Há quem só esteja bem na solidão...
Seres perdidos dos mundos... fazendo parte de onde não pertencem.
Lutam dia após dia por isso mesmo!
Seres perdidos que lutam por estar sozinhos,
(mesmo que no seu inconsciente)
Mas que têm de sair desse mundo
Por um bem Maior...
Tarefa dura...Esforço Hercúleo...
Forças...Forças sugadas...
Mas mantém-se de pé!
Prontos para mais uma investida, atrás de outra e de outra...
Até ao fim.

Hoje Sou Mulher Esqueleto, trago a Vida pela Morte....

Encontrar a beleza da Morte exige Coragem,

Mas ela está lá, mais forte do que nunca!

Ao encontrá-La, encontrei um jardim...

O meu mundo invadido, queimado e escarnecido

Tornou-se numa bela Floresta bébé!

Dela brotam pequenas árvores, flores, ervas

De cura, de força... Como crescem!

Lá o tempo corre rápido...

Não posso deixar-me dormir e perdê-lo...

Vou vivê-lo...Estou Acordada...

E no espelho, a Mulher Esqueleto se transformou...

Em certo tempo perdido na história, numa floresta quase quase mágica, vivia uma feiticeira já velhinha. Passava os seus dias a fiar a lã do destino, a mexer o caldeirão da vida, a cuidar das ervas dos Deuses, nos seus afazeres repletos de conhecimentos que morreriam com ela pois não tinha descendentes.

Esta anciã solitária vivia atormentada com o passar dos dias e com a sua caminhada lenta para a morte, sem deixar a alguém tudo o que aprendeu da sua mãe, da sua avó e, acima de tudo, da vida.

Deixar todo aquele conhecimento ser queimado com ela, desaparecido nos dias do tempo... Que desperdício!

Seria uma lei do destino que ela propria fiara?

Seria uma prova a superar?

Nunca quis casar, nem ter filhos. Não confiava em ninguém. Embora as 240 estaçoes que tinha pesassem, preferia continuar isolada na sua cabana, perdida no meio daquela floresta quase mágica.

Num final de tarde, Fern afastou-se um pouco mais que o normal da sua rota de ervas e foi até à margem do rio para encontrar algumas ervas que só cresciam ali.

Quando se aproximou do rio começou a sentir um cheiro muito estranho no ar: fumo?
- Será que a floresta está a arder? - pensou ela.
Nesta altura do ano eram muito comuns os incêncios na floresta devido ao calor intenso que Litha trazia, juntamente com o descuido daqueles que por ali ousavam instalar-se. Tentou seguir o rasto do fumo e a certa altura, já o fumo era intenso, como novoeiro cerrado, ouviu gritos e ... um choro de criança? Seria?

Largou as suas ervas, correu na tentativa de ajudar alguém que estaria em apuros. À medida que adentrava naquela estufa fumarenta , o calor era cada vez mais intenso, mas ela corria incansável até chegar a uma clareira com uma casinha de madeira. Estava já em chamas altas, que alastravam num fogo destruidor pela floresta fora. De dentro da casa ouvia os gritos, o choro da criança, vidro a partir-se devido ao calor do incêndio incontido!

Desesperada, sem saber como ajudar, dirige-se à entrada da casa que cuspia labaredas e entra coberta pela sua capa, tentando proteger-se daquele fogo sedento.

A casa estava a ser completamente consumida pelas chamas, tentou subir as escadas para chegar à origem dos gritos e do choro, mas não conseguia!

Disse em gritos para se fazer ouvir:
- Está aqui ajuda! Estou aqui para tentar ajudá-los! Mas não consigo subir!

A resposta não tardou:
-Salve a nossa bébé, por favor!

Era uma familia que ali vivia com uma pequena criança de apenas 4 estações!

Naquele momento uma parte do primeiro andar da casa desaba, e com ela as escadas, já em chamas. Numa pequena ilha, ainda de pé encontravam-se os pais e a criança em pânico e logo abaixo Fern, sem conseguir subir, sem saber o que fazer.

A mãe apenas conseguia dizer:
-Salve a nossa filha, por favor, salve-a.

Sem conseguirem pensar muito bem, os pais da criança, tiram as roupas do seu próprio corpo e ataram-nas todas numa corda para a descer até Fern. Conseguiram e Fern saiu de imediato para que a criança respirasse e não morresse devido ao fumo que inalava. Mas prometeu aos pais:

- Eu vou procurar ajuda!

O pai diz:

-Cuide da nossa menina, isso é o que mais importa agora!

Ao sair coberta pela sua capa e a proteger a criança, a casa desaba consumida pelas chamas intensas que lavraram centímetro por centrímeto da sua área e com ela os pais daquela menina, entregue aos seus braços, a chorar como se percebesse que tinha acabado de perder aqueles que a trouxeram ao mundo.

Fern chorava, assustada, sem saber o que fazer. Apertou a criança contra o peito e disse:
- Estás a salvo, eu vou cuidar de ti, shhh!

Na roupa da menina, havia um alfinete que dizia: Indrin.

Era o nome da menina. Com a casa desfeita à sua frente, a floresta a ser consumida pelas chamas Fern começa a embalar a criança com a canção de embalar dos anjos:
"Dorme, dorme anjinho do céu
Dorme hoje que amanhã outro amanhacer se ergue
Sonha lindo anjo, sonha alto
Voa como um pássaro..."

(continua...)


Senhora do Fogo
Deusa dos caminhos
Profetisa...
Portas contigo a luz
Aos caminhos mais profundos e negros
E lá acendes o mais esplendoroso fogo!
Senhora com a força da Serpente
Senhora que desperta Kundalini
Criadora
Nutridora!

No teu ventre levas o futuro
Na mão levas o fogo...
Que Cria e destroi.

Em tua cruz
Cruzas, encruzas e descruzas os caminhos.

Teus cabelos são labaredas
Que encantam os perdidos
E iluminam os desencontrados.

Aconchega-me com o calor do teu Fogo
Mantém-me viva com a força da Criação!
Mantém meus olhos alerta
Meus braços quentes para nutrir quem precisa.
Cobre-me com teu manto de transformação
Para quebrar o ciclos mortos
E deixar nascer os novos frutos.

Senhora da Vida
Senhora da Luz..

Fogo que se mantém aceso em mim!

Pelos pequenos e grandes gestos
Por me fazeres ver quando os meus olhos não se querem abrir
Por me mostrares que devemos aproveitar o que temos
Pelo mais terno sorriso ao mais sincero abraço
Pelo sol que trazes nos dias mais cinzentos
Por tudo....



Tanto que já sofrestes, tanto que padeceste até encontrares o Caminho
Quando o encontraste, mais sofrimento tiveste de enfrentar
Ainda assim continuaste...
Passaste por tantas provas, ainda assim o caminho nunca terminou...
Naquele pequeno pedaço que percorreste até ao céu
Apenas recolheste instrumentos, aprendizagens
Para prosseguires esse caminho quando voltaste.
O teu Amor te levou alto
Te levou ao teu interior
Te levou à tua força
Te levou onde te esforçaste para chegar!
Sobe Sobe Senhora da Montanha
Sobe com teu Amor
Não há dor que te pare
E quando tiveres de parar
Recolhe-te em ti mesma
Renasce e volta, traz aquilo que precisas para continuar!


Imagem Mountain Lady, Sahoo (Graphic Desinger)




Consegues contar as vezes que pedi na vida que estivesses ao meu lado?

Consegues imaginar as alegrias e tristezas que quis partilhar contigo?

Quantas vezes desejei que aqui estivesses, que me desses um conselho, um ombro, uma mão ou simplesmente a tua presença?


Quantas doenças padeci e não estiveste lá a dar-me a mão, a levar-me um chã (sabes o quanto gosto de chá?), a fazer-me rir...


Porquê agora, quando outros bem perto de ti, te pedem o mesmo?


Desejos de criança, imaginação grande, necessidade da tua imagem e da tua referência.


Mas sabes, mesmo assim cresci! Contigo ou sem ti, dou tudo de mim para ser o melhor que aprendi a ser!


Durante tanto tempo quis encontrar referências masculinas na minha vida...mas as poucas que tive foram suficientes...suficientes para perceber que lados solares e lunares todos os temos, mas cá dentro, não lá fora, nas ilusões que temos dos outros.


Agora chega: "Sou o que sou". Fiz-me assim... Filha do mundo, filha da Terra!


Sem ressentimentos, deixo-te também ser...apenas ser o que sempre aprendeste a ser, fiel a ti mesmo.


A ti pai, já contei a minha história...nada mais há a contar...apenas um bonito adeus.


Hoje vamos trabalhar com trabalhar com o fogo!
Salamandras acordem das vossas cinzas
O Fogo chama-vos!
Ouçam o crepitar a surgir da vossa pele...
A toda a velocidade dá vida,
Dá luz, dá calor.
Sem tempo nem espaço concretos
Ele anima!

Controla esse Fogo que te anima
Não deixes que a água da emoção o apague
Tempera-o com o vento
Perfuma-o com a terra!

Pelo fogo agora escreve
As respostas que surgem
Do mais obscuro recanto,
Enfrenta os medos
Queima-os com as achas da vontade!

Escreve com o fogo a cada dia e liberta-te!

Oh Fogo da Transformação
Que fazes cair as Torres mais firmes
E fazes renascer das cinzas
A Morte mais sofrida!

Oh Fogo, alento dos deuses
Dá-nos força de espírito
Para destruir o supérfluo
E animar a insaciável fome de evolução.


Por vezes é dificil encontrar o porquê de algo nos magoar, mas mais dificil é fazer alguma coisa para o mudar!

"Forget this life, come with me", Evanescence

Living between worlds
One seems too real to be a dream
The other one is like a dream, but these feelings are so real.
Am I a world's traveler?

Can we drop this life one day
Leaving to another way
With another body
Not in a enchanted world, just a magic and happy world?
Anywhere,
Where time stoped!
I think I found this world yet,
But I don't want to left there just half of me.


Utopia, dream...

Maybe...

I'm tired, I don't want to fight anymore
I drop here my guns
Come with me to this timeless and spaceless world
A magic place where we've met before,
Can you remeber?

We don't run away
We'll just leave our bodys, punished by suffering
We'll free our souls from the chains of this cruel reality.

Sweet Freedom,
Dawn of a new day
Two Souls halfway
to Neverland.

by Luna

Parei, pensei, senti saudades...



Saudades do quê?



De uma parte de mim que parece ter sido posta de lado para me colar à terra como uma lapa se cola a uma rocha!







Senti falta de acender uma vela...



Sem qualquer motivo, só porque me sinto bem com uma vela acesa no meu quarto, sempre fui assim.



Porque a sua luz me faz sentir em casa, me faz sentir aconchegada. Perco-me nos meus sonhos ao ver a dança da sua chama!







Senti falta de perfumar o quarto com incenso...



Jasmim, o meu preferido!



Ver o rodopiar do seu fumo, sentir o seu aroma e viajar para o meu mundo, lá longe...







Senti falta do meu chá, que me acompanha antes de dormir...



Limão e gengibre com mel.



Como um doce abraço, que aquece e embala.



Sonho bebê-lo no alpendre da minha casa de madeira, num final de tarde...



O perfume das flores e dar ervas do meu jardim.







Como me posso esquecer destas pequenas coisas que me definem e me completam?



Pequenas coisas que me fazem sentir viva, sentir quem sou!



Não precisamos de grandes coisas e grandes objectos para nos afirmarmos no mundo, se tivermos momentos que nos afirmam e relembram quem somos, de onde viemos e nos ajudam a perceber para onde queremos ir!


A noite ainda há pouco nasceu, a lua vai-se espreguiçando e as estrelas cintilando.


No meu mundo, renasce uma vontade incontrolável de escrever, de voltar a dizer ao universo o que me passa na alma.
O túmulto emocional em que vagueia o meu coração e a minha mente não pára, não me deixa manifestar, sem que à minha frente se estenda um mar de mágoa e dor que um dia irão pertencer ao passado, pois apenas se referem a um passado descoberto num presente, mas perdido nas esperanças infantis e inocentes de alguém que se recusou a não poder sonhar!


Nunca deixarei de sonhar, mesmo que tenha de aprender pela dor. Ainda procuro a fórmula para transfomar a mágoa, a dor, o sofrimento em algo mais suportável...mais positivo, mas é tarefa árdua. Não desisto, esta luta interior há-de continuar.


Cruzei um oceano à procura de uma parte de mim e da minha história, sempre pensando que me iria ajudar a evoluir e a perceber o karma desta vida. A verdade é que encontrei o que procurava. Não da forma que esperava, mas encontrei. Sempre me disseram para ter cuidado com o que desejo, nunca poderia concordar tanto com tal advertência.



Desde que nasci, sonhei encontrar do outro lado do oceano uma árvore de princípios fortes para me segurar, porém encontrei uma árvore em fim de vida... Sentada ao pé das suas raízes, que um dia foram fortes, tentei apanhar as folhas e os ramos bem velhinhos, mas já demasiado frágeis pelo mau trato do desespero e perdição...um por um se transformaram em cinza.



Nada terá sido em vão, aprendi a lição: "não procures fora o que só podes encontrar dentro de ti".



Esta lição vai-me acompanhar para o resto da vida.




Sem dúvida que a experiência nos faz crescer. Aquelas duas semanas foram as mais longas e as mais esclarecedoras da minha vida.



Seja qual for o canto do mundo em que me encontre, quer me sinta muito feliz ou muito perdida, o meu lugar será sempre no meu cantinho lusitano. Bem diziam que é terra de luz...



Ainda não encontrei todas as forças interiores para suportar um fardo tão pesado. Ainda assim um dia este fardo há-de perder o seu peso, há desvanecer-se no tempo como uma memória que marca a viragem para uma nova fase.



Agora é o tempo de todas as mudanças...limpar o passado, arrumar cada coisa na sua gaveta, queimar o que não interessa, descartar esperanças infundadas para dar espaço a novos sonhos: renascer. Das cinzas daquela árvore com que sempre sonhei, renasço para um mundo visto com outros olhos.


Estas são as dores de um parto dificil, ainda não sei muito bem como respirar neste novo ambiente. Poucas horas passaram e tudo me empurra para começar a correr, cantar, dançar, mas eu ainda não tenho sequer consciência de mim... grito ao mundo para parar um segundo para conseguir respirar, mas não há tempo.


O que vai o mundo exigir de mim para me fazer correr tão rápido?



Mais uma vez as minhas forças continuarão a ser postas à prova e eu continuarei a descobrir até onde elas poderão ir! Não quero a piedade do mundo pois ninguém carrega mais do que aquilo que pode aguentar...



Quando somos crianças criamos herois, expectativas que o tempo e a dureza do mundo se encarregam de destruir... a pureza e ingenuidade de uma criança são brutalmente desfeitas em pedacinhos...quando adultos vemos essas mesmas "fantasias" serem restituidas, ou parecerem querer ser reconstruidas, hesitamos, mas com a sede de voltar a sonhar como uma criança, aceitamos cada uma delas e até mais...



Quão duro é voltar de novo à realidade brutal do mundo...
Quão duro é recebermos um pontapé e sermos obrigados a pensar: Cresce!



Mas porque temos de crescer pela dor?

Como conseguimos crescer para além daquilo que nos parecer ser possivel?

Se consigo? Talvez...mas com que forças?

Um dia aprendo que não sou a música que anima o mundo.
Até lá, continuo a tentar, pelo menos, animar o meu mundo.

Who am I?

A minha foto
Desde cedo, começou por explorar práticas espirituais que a ligam directamente à Natureza, aos ciclos da Terra e ao Sagrado Feminino. Apaixonada por todas as formas de expressão criativa, começou o seu trajecto na escrita criativa, artes plásticas, desenho e pintura. Criou e participou em diversos blogs de escrita poética, investigação e espiritualidade. Desenvolveu a sua formação académica na área da Comunicação e participou em várias formações de Dança Contemporânea, Consciência Corporal, Teatro, Escrita Criativa e Artes Plásticas. Actualmente estuda Movimento Oriental. Em 2007 foi a fundadora do conceito ArtingLuna, através do qual expressa a sua linha de artesanato, em acessórios de tecido, incensos rituais, cabazes gourmet, entre outros. O conceito ArtingLuna é também a base pela qual tem desenvolvido a conexão terapêutica da Arte com a Espiritualidade, através de vários ateliers, workshops, encontros e círculos.

Um história para todos...

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